O Atraso

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

«A que horas fecham as mesas de voto? Pois, mas não se esqueça que entre nós e os açores, há uma hora de diferença. A noite, está mais que visto, vai ser longa...»

Se há virtude que valorizo é a paciência. Mas devo confessar-vos que esta situação me deixa, eleição sim eleição sim, aborrecido. Entre as dezanove e as vinte horas, dez milhões de pessoas ficam em suspense - à espera que dois pastores da ilha do corvo e uma senhora idosa da ilha das flores exerçam o seu direito de voto. Esta espera eterna pelos açores tem efeitos secundários em mim, como provam as náuseas, dores, insónias e até pesadelos que não raras vezes sinto. Se há virtude da qual não prescindo é a da paciência, porém percebam que a partir das dezoito horas, nos açores, já não há ninguém na rua a não ser que o pico entre em erupção ou que haja um tremor de terra - tão em voga nos últimos dias. Como alternativa, podemos optar pela via menos diplomática - como nos propõe Manuel João Vieira - afundando a ilha dos açores ou então fazemos como os demais países do mundo: deslocamos o fuso horário um tudo nada para o lado esquerdo açambarcando dessa forma a ilha. Se há virtude, volto a dizer, que valorizo é a paciência...
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Cuidado com os teleféricos.

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O Tremor

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

« O desemprego é um terramoto de 10,2 à escala de José Sócrates» - Paulo Portas

Segue-se um facto que pode demorar algum tempo a ser interiorizado. Pode parecer absurdo no inicio, mas lembrem-se do que disse o grande detective Sherlock Holmes: «quando se elimina o impossível, o que restar, por mais improvável que pareça, tem de ser verdade». É por isso que, sem falinhas mansas e paninhos quentes, vos digo que 2012 chegou mais cedo. Comecem, de imediato, a construir as vossas Arcas de Noé - mãos à obra! Depois de tantas ameaças (terramotos políticos, terramotos sociais, 1755, 1969...) por fim o terramoto final. Brincadeiras à parte, e antes que me chamem Medina Carreira versão 2.0, devo confessar que me assustei ao ver o chão, a cama e as paredes serem sacudidas como se de um cão molhado se tratassem. Ainda estou à espera da onda gigante...
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O Futuro

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

«[...] porque se fui eu que o defendi, é lógico que sei o que se passa e neste momento não vou dizer se ele vai continuar comigo ou sem migo. O que lhe posso dizer é que dificilmente ele terá condições de voltar.» - Luís Filipe Vieira (Actual-Presidente do Sport Lisboa e Benfica)

Não há volta a dar. Enfrentamos, a todos os níveis, um problema grave. Eu acrescentaria: muito grave. Tenho, comigo, provas irrefutáveis de que a evolução/selecção natural de Darwin (a título póstumo) funciona. Funciona e isso, desenganem-se, não tem que ser necessariamente bom. Actualmente as pessoas com maior índice de escolaridade, com mais qualificações, conseguem melhores condições de vida, adiam até mais tarde o casamento e têm cada vez menos filhos (se os tiverem). Contrapondo, as pessoas menos qualificadas terão menores condições de vida e mais filhos. Se atentarmos nas leis da evolução, se quem se reproduz mais são os iletrados, então num futuro - não sei estimar se longínquo ou próximo - quem vai ser a maioria dominante serão precisamente - adivinhem - os iletrados. No ano 2600 - vão já preparando os vossos filhos, netos, bisnetos, trinetos e tetranetos - toda a população mundial será ignorante.

Esta foi uma maneira de brincar um pouco com a lei da selecção natural de Darwin - muito em voga nestes últimos dias. Para quem quiser saber mais sobre a dita lei: ver.
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A Honra

Domingo, Dezembro 13, 2009

«Estou muito feliz por ter conhecido aqui os nossos árbitros, para mim foi uma honra do (...) e um prazer ter conhecido gente da vossa categoria, pessoas que me deixaram uma boa recordação...» - Sousa Cintra (antigo presidente do Sporting Clube de Portugal)

"Juro por minha honra que..". A honra já não é o que era. É certo que, ainda hoje, a honra costuma ser o primeiro argumento invocado pelos políticos que surgem envolvidos em casos de corrupção, mas, e sejamos justos, é também uma reação compreensível perante a força que uma acusação representa nos dias de hoje. A honra já não é o que era. Hoje o capitão do navio já não é o último a abandonar o barco, o treinador é sempre o último a despedir-se, políticos, empresários, administradores ou dirigentes desportivos alegam que abandonar o barco em plena tempestade é, a todos os níveis, uma retirada desonrosa, os médicos insistem em passar atestados quando assim não se justifica, acabaram-se os duelos de honra, o ritual suicida dos samurais, etc. Noutros tempos, o opróbrio da desonra era não só um problema para o indivíduo, mas também para toda a família e gerações vindouras. A desonra funcionava como uma maldição de duração indeterminada, uma noção que contraria as actuais correntes de pensamento, as quais libertaram o pensamento do Homem de todo o tipo de restrições que lhe são impostas. Apesar disso, que uma família fique marcada para toda a vida pelo alegado comportamento desonroso do tetra-avô do avô da tia parece-me absurdo. Contudo, continuo a ter a sensação, em muitas situações, de que existem condutas tudo menos honrosas na nossa sociedade. É um pouco como diz o outro: A honra já não é o que era.
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Às Armas

Sábado, Dezembro 12, 2009

«O tempo em que os impérios podiam tratar os Estados soberanos como peças de xadrez já acabou...» - Barack Obama

Não tenhamos medo das palavras: está tudo a mudar. O hoje não é igual ao ontem, assim como o ontem não é igual ao anteontem. Sem darmos por isso, o que hoje é um dado adquirido amanhã não o é. Está tudo a mudar - rapidamente demais. O que hoje é novidade, o que hoje é valorizado e admirado, será velho e ultrapassado amanhã. Está tudo a mudar, e é pena. O blogue mudou. A gripe está a mudar. Eu estou a mudar. O que hoje é branco, amanhã é preto. O que hoje é poder, amanhã é fraqueza. O que hoje, imaginem só, é feio amanhã poderá, muito bem, ser belo. Sejamos claros, no tempo em que ainda não existiam cimeiras do G8, nem conferências de Bilderberg (tópico a explorar num futuro post) existiam dois países capazes de mudar a face do mundo: eram eles Portugal e Espanha. Durante séculos os reinos de Portugal e Castela estiveram de costas voltadas. Durante séculos registou-se uma espécie de guerra-fria neste rectângulo peninsular à beira mar - o mundo, e é pena, não tinha os olhos postos em nós porque não existia televisão e muito menos Internet. Portugal teve, de uma só vez, um pé no Brasil, o outro em áfrica e ainda umas quantas migalhas na ásia. Mas, como está bom de ver, tudo mudou. Desse tempo apenas ficou o que não devia ter ficado; A memória, o tradicionalismo, a ruralidade. O espírito guerreiro, esse, ficou esquecido e guardado numa gaveta. O espírito de vitória, que tanto se apregoa na actualidade, tem que ser recuperado. Vamos ajudar Portugal. Vamos unir esforços. Vamos tentar abrir essa gaveta empenada há centénios. Está tudo a mudar.. e é pena.
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O Casting

Sábado, Outubro 24, 2009

«Bom dia, chamo-me Luiz Carlos Prates e quero ser o novo ídolo deste país. Se acho que posso ser o novo ídolo? Absolutamente, e já vão perceber porquê...»

Ouçam o que vos digo: E porque não criar, à semelhança do que faz a SIC generalista com o "Ídolos", um programa, no formato casting, seguido de eliminatórias, que procurasse o maior contestatário de Portugal? Até pode parecer um absurdo, não digo que não, mas onde anda esse espírito guerreiro que, desde sempre, nos caracteriza? Não é à toa que vou ouvindo, por aí, pessoas dizer que não têm o menor orgulho em pertencer a este país. Portugal precisa de apostar mais em si. Portugal tem de gostar de se ver ao espelho. Vamos ajudar Portugal - é o mínimo que podemos fazer. O repto está lançado.



A este senhor não lhe doem as palavras. Percebem agora?
Já me inscrevi.
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Anátema

Terça-feira, Outubro 13, 2009

12:00 horas. Ligo a televisão e arrisco espreitar a RTP N: Fátima em directo. Salto de imediato para a RTP1: Fátima em directo. De seguida e quase por reflexo mudo para a SIC: Fátima em directo. Por último, e já em desespero de causa, ligo para a SIC Notícias: Fátima em directo. O que acontecerá se ligar o fogão ou o carro?

Não vou contestar o facto de termos estações privadas que transmitam as cerimónias de Fátima. Mas, como é possível que num Estado, dito, constitucionalmente laico haja espaço e tempo de antena para uma religião? Tempo de antena que, recorde-se, porque isto tem que ser dito, é pago por todos os contribuintes!
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