O Orgulho

quarta-feira, outubro 19, 2011

Não há dúvida que nós, portugueses dos sete costados, nos temos em grande e subida conta. Se no plano técnico somos capazes de pôr a nu as coisas que correm (insofismavelmente) mal, no plano sentimental passamos uma enorme esponja sobre as nossas (muitas) fraquezas e continuamos a olhar a negra realidade através de lentes cor-de-rosa. Somos, assumidamente, os melhores do mundo! Lisboa é a cidade mais bonita do mundo - dizemos compenetradamente e de sorriso alvar. Gouveia e Águeda são, sem tirar nem pôr, respetivamente a Veneza e a Paris portuguesas. Os sapatos que fabricamos em S. João da Madeira são os melhores da europa - e quem diz sapatos diz outra coisa qualquer. Os nossos emigrantes são apreciadíssimos e desejadíssimos no estrangeiro - são a fina flor da emigração. Os nossos compositores e intérpretes só não ganham os festivais devido aos (inconfessáveis) interesses das multinacionais do disco. O caldo verde e o cozido à portuguesa são manjares ímpares, sem paralelo em todo o mundo civilizado. Broa como a de Avintes e queijadas como as de Sintra não se encontram em lado algum - é o encontras! - e até a nossa informação - tão remendona, dependente, deturpadora de factos e sordidamente imparcial - é a única verdadeiramente livre que existe daqui até aos antípodas. Somos, é oficial, um caso sério! E quanto ao desporto... nem é bom falar. Se o Benfica, à rasca, passa uma eliminatória a jogar contra um Ferencváros qualquer, aí está o génio lusitano a revelar ao mundo a sua grandeza. Se a seleção de hóquei em patins dá 25-0 a uns peruanos pataqueiros que não sabem nem agarrar no stick, olhamos felizes o seu subdesenvolvimento do alto da nossa olímpica superioridade. Se a pobre Vanessa Fernandes, a suar por todos os lados, arranca a ferros um terceiro lugar, festeja-se o acontecimento e condecora-se a mulher, como se, em vez de digna vencida, tivesse sido a gloriosa vencedora. Somos assim mesmo, não há a volta a dar! Esta dificuldade que nós portugueses temos em enfrentar a realidade, cria um estado de espírito que seria candidamente comovedor, se espontâneo e nascido de uma certa inocência de alma - mas não é! E não é porque em vez de candura, o que existe é apenas pelintrice mental e um grotesco quadro de valores nascidos num viscoso ambiente de embrutecimento, orquestrados pelos mentecaptos e imbecis criadores de mitos que dominam os nossos mass media. Somos um caso perdido! Em vez da reflexão rigorosa e do "conhece-te a ti próprio e ao país real de que és parte", nós portugueses optamos por alienar a nossa atenção e, entre um porra! e um arroto... gritar energeticamente: Viva o Benfica! Enfim...
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Cuidado com os teleféricos.

7 comentários:

Wilson disse...

E eu a pensar que Aveiro era a Veneza de Portugal. Gouveia FTW!

Layanne Eduarda disse...

E isso deixa-me cada vez mais curiosa para conhecer a tão falada terra que fala a mesma língua, porém com muitas diferenças.
:)

jura disse...

A mim também (me) irrita.

Anônimo disse...

Amigo Ivan, preciso de falar consigo :) Ass: Sara

Ivan Mota disse...

Desculpa.. que Sara és?

Anônimo disse...

Ahaah Xd tadinho, há muitas de facto =P A mais baixinha, socióloga do ISCSP

Ivan Mota disse...

tudo bem, aparece no messenger ou manda-me uma mensagem para o telemóvel. beijoca.

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