Errata

domingo, novembro 09, 2008

«Meu caro sugiro que reveja a sua prova. Tem aí umas quantas gralhas. Se quer manter o seu 18 no final do período recomendo que o faça. Se não quiser.. o problema é seu.»

Esta errata pretende desmistificar o que de facto se quis dizer com o texto anterior. «Tenham calma por favor! Não me apedrejem já, bolas». Vamos lá por partes - bem ao estilo de Hannibal - quer queiram quer não, estamos perante um conceito, substantivo, adjectivo (o que lhe quiserem chamar) com uma rede de significados bastante ampla. O que vos digo começa a ganhar credibilidade quando analisamos - com olhos de gente - o vocábulo «humilde». Primeiro: tem uma só forma para os dois géneros (é uniforme); Segundo: assume vários significados (é polissémico); Terceiro: eu não quero guerras e este texto pretende ser de apaziguamento e pacificação; Quarto: vamos ser todos amigos outra vez; Quinto: eu gosto de humildes (eu sou humilde), só não gosto dos "muito" humildes. «Não! Ainda não é agora que me podem chicotear. Aguardem a vossa vez na fila, se fazem favor. Obrigado»

É preciso ver que há o humilde A, o humilde B e o humilde C.
O humilde A é, grosso modo, uma pessoa trabalhadora, pobre, dedicada, empenhada, etc. O humilde B é modesto, irritantemente modesto. E talvez tenha sido neste ponto que pequei. No texto generalizei este conceito, erradamente. Os humildes do tipo B, tornam-se extraordinariamente irritantes quando se subavaliam. Mas porquê? O mérito é vosso camaradas. Esta patologia crónica e globalizada começa a preocupar-me, a sério que sim. Vou pegar no exemplo que dei no texto anterior. "O discurso de vitória".

Jornalista: "Vanessa como foi ganhar a prova?"

Vanessa Fernandes: "Só tenho de agradecer a este público fantástico, pá. Sem eles não teria chegado a meio da prova. Estou em dívida para com este público até ao fim dos meus dias, pá. Muito obrigada portugueses."

Não Vanessa. Não. Tu ganhaste a corrida porque correste mais que as outras atletas, porque foste mais rápida e porque chegaste em primeiro lugar ao fim. Foste tu, não foi o público. Se calhar o erro aqui é meu. Podia resumir esta narrativa a uma palavra simples: Hipocrisia. Mas isso é outra história. De qualquer maneira ainda falta referir a humildade tipo C, que é a com que eu mais me identifico, curiosamente. O humilde do tipo C é - até prova em contrário - o paradigma do humilde puro. Nem exageradamente arrogante, nem exageradamente simples. No meio é que está a virtude. Nem 8 nem 80. É mesmo ali ao meio. «Agora sim podem sovar-me. Está ao vosso critério.»
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Cuidado com os teleféricos.

6 comentários:

Nádia Paiva disse...

Podemos sovar o Ivan? :o

'stracciatella disse...

Por isto que aqui descreveste, é que o Mourinho 'chocou' o mundo; por isto que aqui descreveste, é que os portugueses se sentem, de forma geral, inferiores. Se nós próprios nos subvalorizamos, como é que os outros não haverão de fazê.lo?!

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Anônimo disse...

Antes de mais os meus parabens pelo Blog Teleférico.

Está fixe.

Ivan Mota disse...

poderão sovar-me, sim. mas primeiro terão que formar uma fila indiana bem orientada e organizada.

É favor consultar o preçário.
Duração máxima: 5 min.

PS: Se trouxer um amigo paga metade.

Ivan Mota disse...

Bem dito Sara! Vamos combater esta tendência. Eu bem tento "ivangelizar" à minha maneira mas não é de todo fácil.

Ivan Mota disse...

Obrigado visitante ;)

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