Hermenêutica dos 50

quinta-feira, dezembro 11, 2008

«Já dizia o Dr. Bayard e com razão: Os 50 estão para a mulher como o Elvis estava para os anos 60»

Se dúvidas houvesse, hoje.. dissiparam-se completamente. Estamos perante um fenómeno à escala global. Estamos perante uma pandemia social. O alarmismo, o medo, o terror - os primeiros sintomas de que algo não está a funcionar correctamente, os primeiros sintomas de que algo vai mal, bem mal. Vamos lá ver se nos entendemos, sentem-se aqui minhas amigas, ao meu lado, que eu vou tentar explicar-vos isto. Isso chega-te mais para dar espaço às outras, mais para aqui, ao meu colo, upa. Estão confortáveis? Peço desculpa. Ora bem, para começar, tenho a dizer que no passado foram cometidos alguns erros e excessos. Finais dos anos 60 mais precisamente. Essa geração de mulheres que, há data teria 10/11 anos, marcou e continua a marcar violentamente a actualidade. Não sei se haverá uma causa concreta, mas o que é certo é qu'ontem assisti, in loco, à maior prova de estroinice e exibicionismo de todos os tempos.

19:00 - Centro de Almada.

Típica hora de ponta. Autocarros a abarrotar, vias de trânsito completamente entupidas, peões de um lado para o outro, um frenesim caótico. Ao fundo (rua de sentido único) - um obstáculo. Um carro mal estacionado, que para descanso dos populares tinha os quatros piscas ligados. Um minuto... dois minutos. Buzinas. Dois minutos e meio. Muitas buzinas. Três minutos. Um motim. Por fim o alegado proprietário do veículo dá sinal de vida. Acutilante nos seus movimentos, o até então anónimo, vai explicar-se ao motorista do autocarro. Quatro minutos. Desordem total. Entretanto, a senhora que ocupava o lugar do meu lado esquerdo - depois de dez agonizantes suspiros - vocifera as sábias palavras (e passo a citar): "Jovem. Dê-me um jeitinho - por favor - que eu vou tratar disto. Já me estou a passar com este palerma! É que ainda quer ter razão o ordinário!". E lá foi ela. Seis minutos. A senhora surpreende meio mundo e começa a empurrar o obstáculo como se de um carro de compras se tratasse. Cirúrgico a reagir, o condutor vai pedir explicações à cinquentenária. Depois de dez imprevisíveis rounds, um vencedor. Neste caso uma vencedora. Auxiliada por mais duas, a cinquentenária leva a sua avante e retira o veículo do caminho de todos. Mas não se livrou de levar umas bocas, afinal de contas, o carro estava sem bateria. Dentro do autocarro, outras três cinquentenárias competiam entre si, na desesperada tentativa de descobrir quem conseguia proferir o vernáculo mais lascivo. Oito minutos. A bonança.

Não é a primeira vez. Também não é a segunda. Este fenómeno é exclusivo desta faixa etária. Podem apedrejar-me minhas senhoras. Não retiro uma virgula à minha tese. Que ninguém me tente provar o contrário; porque eu sei exactamente que isso se deve ao facto de vós serdes do tempo da queima dos soutiens de 1969. Levou-vos à emancipação e a atitudes destas. O típico português, todos sabem, é conhecido por fazer trinta por uma linha quando tem a vantagem numérica do seu lado, e o inverso quando se vê em minoria. Estas senhoras são as responsáveis número um. Se temos a fama de ser assim, a todas vós devemos isso. Adoram estar na linha da frente. Adoram ser acutilantes e dizer impropérios. Adoram ser aplaudidas. Pois bem, se depender de mim não voltarão a ser aplaudidas. Vós tendes validade, vós tendes importância . Mas não se metam onde não são chamadas. E antes de me despedir - um último pedido. Não indrominem a mente das vossas filhas/netas. Abaixo a espertice saloia! Pim!
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Cuidado com os teleféricos.

7 comentários:

'stracciatella disse...

Está tudo explicado! A minha mãe terá cinquenta anos, no espaço de dois meses.. Eu bem que a estava a rever nas tuas palavras..

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Anônimo disse...

Adorei o post oh Mota! estava fantabulástico xD

ainda bem que a minha mae nao é assim... também ainda lhe faltam uns anitos para essa idade que considero deveras incrível(apenas devido a atitudes de certas senhoras xD)

Um abraço!
samot

Anônimo disse...

es o maior!

al disse...

és o maior, com certeza, mas porque escreves muito bem, és sensível ao que se passa à tua volta, és, apesar de tudo, comedido nas críticas, mas, desculpa, Ivan, acho que, neste caso, não tens razão. Basta estares portões adentro, na tua escola, aos intervalos, ou à hora da saída. Praticamente todos os dias, aquilo que mais se vê, agora, são miúdos deliciados porque vai haver 'fight' - e tão entusiasmados os actores como os espectadores.
'Vernáculos lascivos', então, há-os para todos os gostos, e cada vez mais entendidos como fazendo parte da 'norma' desta língua portuguesa.

A(s)cinquentona(s) de que falas, e que à data dos finais de 60 teriam 11 anos, na minha opinião, nem sabem o que foi isso da queima dos sutiãs. Com certeza que não foram - não são - feministas ou qq outra coisa do género. Aquilo de que padecem chama-se 'chico-espertice',esperteza saloia, má educação. E olha que isso não escolhe idades, nem sexos. Talvez andem é mais de transportes públicos do que os homens da mesma faixa etária, ñ será?..

Bjis e.. como vês .. continuo a gostar de cá vir. Nem que seja para discordar :-))
al

Anônimo disse...

ahahahahahaha

ML disse...

Ahahahahaha, o meu preferido!!

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