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A Proclamação

segunda-feira, setembro 12, 2011

«Eu abaixo-assinado afirmo solenemente, pela minha honra, que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas...»

Portugueses!
Basta de miséria e sujeição!
A todos vós - filhos de um povo ultrajado, enganado e espoliado das suas glórias passadas - lanço um solene desafio: De pé, portugueses! Acordai desse sono fúnebre! Mostrai-vos dignos dos vossos antepassados, heróis e navegadores! Não vos deixeis abater pela imagem de miséria que o espelho vos devolve, pois ainda há alguém capaz de vos guiar pelos caminhos da honra. Eu! Olhai para mim, portugueses de bem! Olhai-me bem de frente e comparai com os políticos que por aí existem. Atentai na minha verticalidade e solidez. Na clareza com que vos enfrento. Na virilidade com que vos digo a verdade nos olhos. Enquanto houver homens como eu, nem tudo está irremediavelmente perdido, mas é necessário que não façais orelhas moucas às minhas palavras e escuteis o que tenho a dizer-vos.

Portugueses!
Há três longos séculos que Portugal vem sendo governado por incapazes. Por débeis cretinos. Por vendilhões e traidores enfeudados aos interesses estrangeiros. Confiai em mim, pois sou um homem sem ambições pessoais, como já deveis ter percebido. Modestamente, ofereço-vos a minha pessoa, a minha vida, os meus filhos (que ainda não nasceram) e os meus bens, a minha tenacidade e as minhas noites de insónia. O que peço em troca? Apenas isto: que vos agrupeis à minha volta e me sigais, que voteis em mim para que juntos façamos de Portugal o melhor país do mundo.

Portugueses!
Basta de mentira e corrupção!
O combate que vamos travar será duro e será longo - bem sei! - mas será ganho. E só eu - graças a uma vida honrada e sem manchas - conseguirei reunir à minha volta o que ainda resta deste país. Só eu - graças à minha proverbial incorruptibilidade - estou em condições de reestabelecer a ordem pública e o respeito pela hierarquia, de impor a disciplina e o civismo, de acabar com a delinquência e com as demais fontes de perturbação social.

Mas atenção, portugueses: é pegar ou largar! 
Ou fazeis a vossa opção rapidamente ou então terei que me chatear porque "quem não Vota Mota, vai bater a bota...".
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A (má) Vaidade

quarta-feira, agosto 24, 2011

« (...) Porque os outros se compram e se vendem? E os seus gestos dão sempre dividendo... Porque os outros são hábeis mas tu não?» - Sophia de Mello Breyner/Francisco Finhais.

Tanto os jornais, como as revistas, a televisão, a rádio e os restantes órgãos de comunicação são, cada vez mais, os grandes assopradores da vaidade humana. É público: a malta vaidosa sempre existiu. Incontestavelmente, porém, nunca em toda a história da humanidade a vaidade foi, como no nosso tempo, o principal motor das ações e da conduta do cidadão, do dirigente, do homem público, do político (seja qual for a sua cor), etc. Vir no jornal, ter o nome impresso - preto no branco - é hoje, para os mortais, que vivem em sociedades ditas civilizadas, a aspiração e a recompensa supremas - sobretudo para os políticos. Nos velhos regimes aristocráticos, o grande esforço dos que tinham ambições no campo da política e nos negócios públicos era obter, se não já o favor em si, pelo menos o sorriso do príncipe. Nas novas democracias (das orgânicas às socialistas e populares) esse esforço é gasto a alcançar a atenção e o louvor da comunicação social. Para conseguirem as dez ou doze linhas de texto, os políticos praticam todas as ações - incluindo algumas boas de que ninguém os julgaria capazes - e não é necessário que as tais linhas contenham um panegírico todo ornamentado. Não há partido ou confissão política que não esteja devorada por este apetite mórbido do reclamo. Ele é tão vivo no truculento e vampiresco fascista ou no social-democrata de falinhas mansas e intenções reservadas, como no marxista de ciência seca e hierática, ou no tenebroso e fanático conspirador de extrema-esquerda, lúgubre, sectário e irresponsavelmente feroz. A todos eles toca, sem exceção, sejam reacionários ou furistas, oportunistas ou charlatães, sócrates ou coelhos, esta esperança radiosa de aparecer nos escaparates.
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A Pandilha

quarta-feira, março 02, 2011

«Vossa Excelência deseja pagar a continha agora ou mandamos a despesa para o Ministério, como de costume, hmm?»

Talvez não saibam que alguns ministros, desses que vão passando pelo Poder,  acostumaram-se a aproveitar a hora de almoço ou do jantar para resolver assuntos importantes das suas áreas de governação. Bravo! Muito bem! - exclamará o leitor - Isso é que é trabalhar em prol do povo! Com efeito, assim parece, à primeira vista, mas sugiro que moderem o vosso entusiasmo. Isto porque esses almoços e jantares, opíparos, bem regados e comidos em bons (para não dizer excelentes) restaurantes custam os olhos da cara e quem paga a fatura dos mesmos, não é o Sr. Ministro... mas a tesouraria do respetivo ministério. O que, por outras palavras, quer dizer: quem paga é o Zé - somos nós. Essas horas extraordinárias de Sua Excelência ficam-nos, não se deixem enganar, por uma pipa de massa, porque, além da comida ser cara  e os vinhos de uma qualquer colheita de 1960, as bocas são muitas. Come e bebe o Sr. Ministro, come e bebe o seu palaciano chefe de gabinete, come e bebe o Secretário de Estado ou diretor-geral, come e bebe a secretária boazona (escolhida a dedo para esse cargo tão nobre), comem e bebem os respetivos motoristas, pois essa pandilha não anda a pé nem de autocarro - anda de Mercedes, e é cada um com o seu. A intenção do Sr. Ministro - deixemo-nos de aldrabices - não é prolongar o seu tempo de trabalho; para isso bastar-lhe-ia chegar ao seu gabinete às nove da manhã e não por volta do meio-dia como tem por hábito fazer. Com esse golpe de teatro, consegue, isso sim, juntar às benesses que o cargo já lhe traz mais essa de comer e beber regaladamente e de borla, ser simpático e mãos largas para com os seus satélites e poupar à mulher a chatice (e a despesa) de lhe grelhar um bife. Além de que - e atenção porque isto é importante - a mesa de um bom restaurante é o lugar ideal para dar corpo às belas negociatas, com as garfadas a alimentarem o engenho e os copos a estimularem as decisões. É meio caminho andado, está bom de se ver. Mas será isto verdade? - interrogar-se-ão os mais incrédulos. Será possível que coisas destas se passem num estado de direito, em pleno regime democrático, protagonizadas por membros de governos legais e constitucionais? Sim, é. Mas já que entrámos no (sub)mundo das comesainas dos ministros, deixo para reflexão: Já pensaram que, só à vossa conta, já ofereceram pelo menos um arrebatador banquete a um Sr. Ministro, à esposa do Sr. Ministro e à amante do Sr. Ministro? Já pensaram quantas toneladas de lagosta e rosbife, quantos hectolitros de bons vinhos, whiskies e cognaques essa malta tem comido e bebido à vossa custa? E já vos ocorreu que diariamente enquanto grelham um bitoque, há um governante que se empazina com trutas ou caril de gambas pagas com a massa que veio buscar à vossa algibeira? Macacos me mordam, é demais!  E, para cúmulo, além de vos chularem, nem sequer agradecem no fim: Arrotam-vos em cima...
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Homenagem à Luta

terça-feira, março 01, 2011

«O caminho é por ali... sim, por ali.»

Portugal vive submergido em mal entendidos, falcatruas, gente incompetente que não soma em prol do país (pelo contrário) e aparentemente ninguém se preocupa com isso. De vez em quando fala-se do assunto, escrevem-se umas coisas nos jornais, diz-se amiúde que há que pôr cobro a tal situação... mas, no fundo, no fundo o passar das ideias aos atos é - no mínimo - inconsequente. Pois bem, estes dois senhores (ou deverei dizer camaradas?) são o rosto da indignação, o rosto da revolta e, quer queiramos quer não, os únicos a meter realmente o dedo na ferida. A vós, Homens da Luta, um grande bem haja. Obrigado.


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The Insurgency

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Portuguese Cinema has a long tradition and has been featured in news publications worldwide. Directors like Manoel de Oliveira and João César Monteiro, among others, have gained Portuguese cinema international attention. However - and there is always a however as well when dealing with Portuguese stuff and material - the lack of movies that at least try to depict or portray our reality and, on the other hand, the unexplainable incapacity to communicate with the viewers are obvious problems. These two things, not to mention the high prices of tickets and snacks, "scare the crap out of everybody" who wants to see good cinema. Nevertheless, I believe that I have an idea that could solve all these knotty problems. The solution is to look at the problem from a different angle. We should be proud of us and wherever we go we should show others that we are not less than anyone else. In order to do it, I suggest that we start to face our own Cinema the same way that we all do with our national football team. How? Let me ask you this: How do the Portuguese people see their own national team? With passion. So, people need to start to support Portuguese Cinema, the same way. Make sure you bring your scarf, your vocal chords and your Portuguese flag next time you attend a national movie. Scream like a girl, jump higher than ever before, get your hands up - Let's support it! Let's save our beloved Cinema...
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A Despedida

quinta-feira, junho 10, 2010

«Chegou a hora do adeus final, vamos partir. Com fé e confiança, irmãos, vamo-nos despedir.»

Bem sei que este opróbrio está ultrapassado, pelo menos no plano temporal, porém, no rescaldo da ocorrência, fui informado que, no entender das excelsas mentes episcopais, a vinda de Joseph Ratzinger a Portugal, assim como a tolerância de ponto concedida pelo Governo são "uma resposta a uma aspiração do povo português". Se assim é, sendo eu um anti-aspiração - por outras palavras: um anti-português - tenho bom remédio: partir para bem longe, mudar de nacionalidade e converter-me ao desconhecido, isto antes que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, espicaçado pelo Governo português, me venha bater à porta pedindo esclarecimentos. Dizer também que o meu súbito desaparecimento se deve, em parte, a esta situação. É esperando que esta fatalidade não tenha repercussões graves que deixo a pergunta: Sr. Ministro da Administração Interna, Dr. Rui Pereira, quantas(os) horas/dias tenho para abandonar o país? As minhas, desde já, sinceras desculpas. Viva Portugal.
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A Nossa Pequenez

quinta-feira, abril 15, 2010

«Desculpe, importa-se de repetir?»

Quem não considerar de bom tom o excesso de adjectivação é melhor parar por aqui. A partir da próxima linha o que não faltarão são qualificativos, superlativos e demais hiperbólicos vocábulos. Feito o reparo, dizer que apesar de estranho temos muitas razões para ser felizes. Por alguma razão, ainda desconhecida, provavelmente genética, não o somos. Na verdade somos um pobre coitado, um eterno deprimido, um péssimo exemplo que se queixa de tudo e de nada, que se odeia e que, como não podia deixar de ser, detesta o sucesso alheio. Somos um país brando, negligente, um país promotor de incompetência e pouco humilde. Falha após falha a História faz-se, os casos repetem-se, os factos acumulam-se e este epíteto que se criou à volta do nome Portugal mina, por completo, a nossa, tão importante, confiança. Há alguns anos aprendi que: "os exemplos vêm sempre de cima". Se assim é, e numa altura em que se fala abertamente de crise, numa altura em que, mais do que nunca, se pede sacrifício, esforço e empenho aos portugueses, que idiotice é esta de dar tolerância de ponto aos trabalhadores nos dias 11, 13 e 14 de Maio, em virtude da visita do Papa ao nosso país? Estará Sócrates a tentar comprar o seu prometido "cantinho no céu"? Chamem-me reaccionário, herege, Velho do Restelo, que posso bem com a vossa prosápia, não façam é de mim um pateta. Esta iniciativa (já nem vou discutir a inconstitucionalidade que a questão encerra) não tem finalidade nem a mínima razão de ser. Recuso-me, por conseguinte, a ludibriar a realidade, recuso-me a pactuar com um Estado que pratica terrorismo institucional, não quero fazer parte de um país menor. Bem sei que temos um histórico de aproximadamente quarenta anos de ditadura, porém já vai sendo tempo de romper definitivamente com esse passado terrível. Olhemos de soslaio para a índole trabalhista dos japoneses - não de forma reprovável, mas com um misto de admiração e indulgência - que têm direito a três dias de férias anuais. Costuma dizer-se que tudo o que é demais é doença - neste ponto estamos de acordo - mas estamos também perante um caso paradigmático de amor à causa, de amor à pátria. É preciso dar um passo em frente, é preciso fazer mais - não vou aderir "à borla" do governo. Tempos houve em que acreditar que a Terra gira à volta do Sol indiciava demência e loucura, hoje começo relutantemente a aceitar que o enfermo sou eu.
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O Cambalacho

quinta-feira, março 04, 2010

«Não. Você é "obrigado" a pagar os óculos, não sei se me está a perceber. Oiça o que lhe estou a dizer: os óculos (os 2€) já vêm incluídos no preço do bilhete. Bom, faça como quiser...»

Não se fala de outra coisa no Twitter, nos corredores da Assembleia da República, no meio artístico, no balneário do Belenenses e nas rusgas da Secreta Portuguesa: os óculos 3D, tão em voga nos tempos que correm, têm revolucionado o mercado e, de certa forma, têm avivado o interesse pelo cinema. A ideia, apesar de peregrina, é interessante, mas há um senão (um grande senão!): estes óculos, avaliados em dois euros, têm aos olhos dos tipos que os comercializam um prazo de validade, a todos os níveis, aplausível: um filme. A verdade é esta, os óculos não são reutilizáveis pelo que por cada "filme 3D", serão obrigados a adquirir novos óculos. «Larápios!» - a aplicação deste adjectivo não é empregue em vão pelo que me parece da mais elementar justiça anunciar que nunca mais me verão num cinema até que esta situação se resolva. Os preços são, já assim, um absurdo - seis euros. Que se faça a revolução, eu ainda sou do tempo em que se pagavam duzentos e cinquenta escudos por um bilhete e setenta escudos por um balde muito razoável de pipocas. Abaixo o lamaçal, abaixo o marialvismo de vão de escada, abaixo a exploração!
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